Galpão
estreia "Till, a saga de um herói torto" em São
Paulo
e
retoma suas origens de teatro de rua
Espetáculo
já reuniu mais de 55 mil pessoas

O
Galpão retoma suas origens de teatro de rua e estreia "Till, a saga de um herói
torto". A peça foi escolhida a partir da montagem de quatro cenas realizadas em
março deste ano e dirigidas por integrantes do Grupo. O campeão de preferência
nas opiniões enviadas pelas pessoas que assistiram à apresentação das cenas foi
a montagem realizada a partir do texto "Till Eulenspiegel", de LuÃs Alberto de
Abreu. Seu universo marcado pela cultura popular da Idade Média já era também um
dos prediletos entre os atores do Galpão por seu caráter eminentemente popular e
sua linguagem de teatro narrativo, de grande comunicação com o público.
Coerente
com uma trajetória de permanente troca com o público, o Galpão convidou os
interessados para acompanhar a construção do novo espetáculo de dentro do
processo de montagem, realizando diversos ensaios abertos na sede do Grupo e no
Galpão Cine Horto.
Com
direção de Júlio Maciel, cenário e figurinos de Márcio Medina e direção musical
de Ernani Maletta, o espetáculo representa a volta do Grupo Galpão ao teatro de
rua e suas formas de representação popular. Para o Grupo, a rua é um espaço
importante para a democratização da arte e do teatro. "Ela nos traz desafios de
como apresentar o espetáculo para um público amplo e sem restrições de idade,
classe social ou formação intelectual. Isso tem reflexos em todos os elementos
de criação, como a dramaturgia, a cenografia, os figurinos e a música", afirma
Eduardo Moreira, integrante do Galpão.
Este
é o quarto espetáculo com direção de integrantes do Grupo. O primeiro foi "Foi
por Amor", com direção de Antonio Edson, em 1987. Dez anos depois, já em 1997,
Eduardo Moreira dirigiu "Um Molière Imaginário". A última peça com direção
interna foi "Um Trem chamado desejo", no
ano de 2000, direção de Chico Pelúcio.
'Till'
em números
Este
é o 8º espetáculo de rua do Grupo e 4º espetáculo com direção
interna.
Foram
confeccionados 31 figurinos.
Mais
de 55 mil pessoas já assistiram Till.
Aproximadamente
10 mil pessoas no Rio, foram conferir o Grupo em 6 apresentações do
espetáculo.
Em
Minas, além de Belo Horizonte, o Galpão se apresentou em outras 12 cidades, pela
Turnê Minas e a convite dos festivais de inverno.
Till,
a saga de um herói torto
Um
dia, na eternidade, o Demônio aposta com Deus que se tirasse do homem algumas
qualidades, ele cairia
Criado
pela cultura popular alemã da Idade Média, Till é o tÃpico anti-herói cheio de
artimanhas e dotado de um irresistÃvel charme. Um personagem que tem parentesco
com outros tipos de várias culturas, por exemplo, que se assemelha muito ao
nosso MacunaÃma ou ao ibérico Pedro Malasartes.
Além
de Till e uma infinidade de rústicos personagens medievais, a peça conta também
a história de três cegos andarilhos que buscam a redenção, sonhando alcançar as
torres de Jerusalém e salvar o Santo Sepulcro das mãos dos
infiéis.
Num
mundo em que é cada vez mais marcante a presença dos excluÃdos e dos desprovidos
de qualquer suporte material, a parábola das aventuras do anti-herói Till
Eulenspiegel torna-se de uma atualidade inquietante.
A
comédia popular está presente de forma muito marcante em vários espetáculos do
Galpão, especialmente em "A Comédia da Esposa Muda", "Um Molière Imaginário" e
"Um Trem Chamado Desejo".
Música
A
direção musical do espetáculo é assinada por
A
trilha sonora, composta por 12 canções, possui temas variados, marcados por
músicas do cineasta e músico sérvio Emir Kusturica, composições próprias e
cantigas de roda. "O espetáculo tem uma unidade sonora que é a combinação de
duas fontes que nos guiaram desde o inÃcio, a sonoridade que as músicas do
Kusturica têm, mais rasgada, mais metálica, mais jocosa, e a música medieval,
que possui alguns intervalos sonoros caracterÃsticos, que tem uma estrutura
particular", informou Maletta.
As
cantigas de roda foram reconstruÃdas e ganharam uma sonoridade semelhante à s
músicas medievais e as do Kusturica, preservando a originalidade das
mesmas.
Nesta
nova montagem,
Iniciação
ao "bufão"
Especialmente
para a nova montagem, o Galpão participou de um workshop sobre "bufões" com o
preparador corporal Joaquim Elias, estudioso do assunto. "O universo de TILL
está repleto desses tipos bufonescos, mendigos, cegos, deficientes do fÃsico e
da moral. Ele próprio - o Till - é uma dessas inúmeras manifestações de
arquétipo do bufão", ressaltou Elias.
Além
disso, desde março, três vezes por semana, o preparador trabalha com o grupo
exercÃcios de respiração, soltura das articulações, jogos de rÃtmica corporal e
interação grupal.
Figurino
Foram
confeccionados 31 figurinos em um ateliê especialmente montado para o
espetáculo, composto por duas costureiras, uma modelista e três aderecistas.
Além disso, a equipe contou com a ajuda dos alunos do Núcleo de Pesquisa em
Figurino do Galpão
Para
remeter ao perÃodo medieval na Alemanha, os tecidos usados são artesanais, de
fibras naturais e foram tingidos à mão. Todo o material é reciclado. Fazem parte
das roupas também panos de saco de chão usados, coletados nas residências da
equipe do Galpão e tecidos de figurinos de espetáculos anteriores que não são
mais usados. As roupas passaram também por um processo de envelhecimento. Como
os atores interpretam vários personagens, cada um possui um macacão base e o
material é leve, para facilitar seus movimentos.
Segundo
Márcio Medina, o figurino possui uma dose de humor misturado com o grotesco.
"Tivemos uma influência do pintor flamengo Hieronymus Bosch. Em suas obras
encontramos figuras estranhas, bicho comendo gente, gente comendo bicho, ele tem
um pouco desse universo e nós nos inspiramos nele tanto cromaticamente, como nas
formas", afirmou.
Os
adereços têm um papel fundamental no figurino. Cada personagem possui um que
caracteriza a sua personalidade. Para a confecção deles foram usados materiais
rústicos, como panelas, galhos de árvores, ferragens, borracha, entre outros.
Cenário
Com
um palco ao ar livre de dez metros de comprimento por sete de largura, o cenário
está em harmonia com o figurino, com materiais recicláveis e objetos rústicos.
Carrinhos
de mão comprados em mercados tradicionais da cidade são usados como palco
praticáveis. Márcio Medina lembra que a história de Till está sempre ligada Ã
venda e esses carrinhos criam esse efeito de mercadoria, além de dar mobilidade
aos atores. Outro objeto do cenário que pode ser visto nas ruas de Belo
Horizonte e que está sendo usado em contexto diferente na montagem, é a vassoura
usada pelos garis da Prefeitura.
Para
ter um público mais próximo do espetáculo, Márcio Medina optou por um palco
horizontal e com profundidade menor, que possui um fundo falso, uma espécie de
coxia, além de vários alçapões, de onde os atores entram e saem de
cena.
Parceria
Petrobras
O oferecimento de um espetáculo de montagem tão cuidadosa e complexa como "Till, a saga de um herói torto", gratuitamente para o público, é possibilitado pela parceria da Petrobras, patrocinadora exclusiva do Grupo Galpão desde o ano 2000.

A
Petrobras é patrocinadora exclusiva do Grupo Galpão.
Ficha
técnica
ELENCO/PERSONAGENS
Arildo
de Barros (Parteira / Juiz / Camponês / Carrasco / Padre /
Miserável)
Beto
Franco (Parteira / Português / Padre / Camponês /
Miserável)
Chico
Pelúcio (Demônio / Camponês / Voz do Soldado)
Eduardo
Moreira (Doroteu / Povo)
Inês
Peixoto (Till)
Teuda
Bara (Mãe / Miserável)
EQUIPE
TÉCNICA
Direção:
Júlio Maciel / Texto: LuÃs Alberto de Abreu / Cenografia e Figurino: Márcio
Medina / Direção musical - arranjos, adaptações e composições: Ernani Maletta /
Preparação corporal para cena: Joaquim Elias / Iluminação: Alexandre Galvão,
Wladimir Medeiros / Caracterização: Mona Magalhães / Adereços: Luiza Horta,
Marney Heitmann, Raimundo Bento / Sonorização: Alexandre Galvão / Cenotécnica e
contra-regragem: Helvécio Izabel / Assistente de figurino: Paulo André /
Assistentes de cenografia: Poliana EspÃrito Santo, Amanda Gomes / Preparação
vocal: Babaya / Técnica de Pilates: Waneska Carvalho / Construção do palco:
Tecnometal / Ajudante de cenotécnica: Nilson Santos / Costureiras: Taires
Scatolin, Idaléia Dias / Fotos: Guto Muniz / Projeto gráfico: Lápis Raro /
Consultoria de planejamento: Romulo Avelar / Assessoria de planejamento: Ana
Amélia Arantes / Assessoria de comunicação: Paula Senna / Estagiários de
comunicação: Ana Alyce Ly e João Luis Santos / Consultoria de patrocÃnio: Mauro
Maya / Assistente de produção: Anna Paula Paiva / Produção executiva: Beatriz
Radicchi / Direção de produção: Gilma Oliveira / Produção: Grupo Galpão /
PatrocÃnio: Petrobras
PARQUE
DA INDEPENDÊNCIA - Museu do Ipiranga
(Av.
Nazareth, s/nº)
Dias
31 de outubro e 1º de novembro - sábado e domingo, às 20h
Duração:
1h30 - Grátis - Livre.
Lotação:
2.500 pessoas
Sem
retirada de senha
Informações:
SESC Ipiranga - tel.: (11) 3340.2000


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