Um olhar sobre o urbano

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 Avenida Dropsie

Autor: W. Eisner

Direção: Fellipe Hirsch

Realização: Sutil Companhia de Teatro

Narração: Geanfrancesco Gruarnieri

 O espetáculo expõe, em narrativa não linear e não necessariamente verbal, o universo das relações humanas nos grandes centros urbanos: o homem com sua solidão em meio a tantos, o homem na Torre de Babel.

Com figurinos e cenário bem cuidados e que em tudo servem aos propósitos da montagem, a Sutil Companhia opta por um teatro em "tons" cinematográficos, em que prepondera a fotografia, a luz e as "situações", deixando a palavra para momentos singulares, deliciosamente narrada e cortantemente sentida.

Guarnieri anuncia a cena, ou como um coro grego, expondo o pensamento por traz da ação, comenta, dialogando com uma luz quase sempre em tons neutros, sombria, com a chuva, com a confusão e profusão de desencontros: é a voz solitária que grita pedindo socorro.

Toda a metrópole é reduzida a um prédio de três andares, espécie de Arca de Noé; os atores representam tipos que podem ser encontrados em qualquer esquina de São Paulo a Tóquio.

Não há interação com a platéia - respeita-se a quarta parede - e embora as situações remetam a desencontros, solidão, caos, a opção da direção por um constante toque de humor torna digesto ao espectador o espetáculo.

Apesar do palco italiano, da quarta parede, do tom encantatório da luz, o espetáculo não é ilusionista, nem nos comove no sentido catártico, a relação empática flui sem deslumbramento. A sucessão de cenas, aparentemente sem ligação - como se fossem skatches, compõem no contexto final um conjunto de ações que retram bem o que é a vida urbana, hoje. A interpretação e gestual dos atores caminha pelo não cotidiano, é larga, abundante, propositadamente caricatural - aparentemente canastra - tudo isso somada ao ridículo das situações causa no espectador uma espécie de estramento como se a cidade de São Paulo fosse posta à observção no interior do MASP - uma espécie de Duchamp em grande escala.

Os personagens com os quais cruzo todos os dias, invisíveis aos meus olhos estavam lá - agora visíveis; os barulhos cotidianamente suportados cresceram a trovões, a diversidade venceu o retrato único das caras dos trabalhadores no metrô de todos os dias.

Avenida Dropsie da Sutil Companhia não é um teatro para despertar compaixões, piedades. Não é uma comédia rasgada, ou uma tragicomédia para ser deglutida ao primeiro riso ou ao primeiro susto. É um teatro que faz parir de sete meses o nosso vexame diante do silêncio cúmplice de todo dia, incitando-nos a uma pergunta inevitável: a vida nos grandes centros urbanos precisa mesmo ser assim?

No SESI/SP

Eraldo Maia

AVISO IMPORTANTE

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O Ministério da Cultura está disponibilizando hoje (23/03/2009) em seu site na internet o novo projeto da Lei Rouanet para ser discutido com a comunidade (pessoas interessadas), o projeto ficará disponível, no site, por 45 dias.

É muito importante a sua participação, a sua opinião, a discussão com seu grupo, sindicato, etc.

O financiamento a cultura precisa ser rediscutido e eis aí a oportunidade para sua manifestação.

Abra o site do MINC e leia com atenção o projeto.

por

Eraldo Maia

A mostra EXPERIMENTOS DO TEATRO realizado no TUSP (Teatro da USP), até o dia 30 de abril, traz esta semana em sua programação alguns exercícios cênicos dignos de serem apreciados por aqueles que gostam de bom teatro.

Hoje 09/03 - As três irmãs - uma apropriação do texto de Anton Tchekhov, a partir da improvisão do grupo. As 20:00 horas. (grátis)

Dia 12/03 - Ensaio sobre a ilha - reflexões que propiciaram ao grupo um encontro com a ilha desconhecida de José Sramago.

Dia 13/03 - É isso aí, Hamlet - adaptações de trechos da peça - É um ensaio de pós-graduação.

Dia 14/03 - O exercício cênico - Romeu e julieta (UNESP) - apoia-se no texto do dramaturgo inglês William Shakespeare, é bom deixar bem claro que não se trata aqui de uma adaptação.

OS INGRESSOS SÃO GRÁTIS. OS ESPETÁCULOS REALIZAM-SE DE QUINTA Á SEGUNDA-FEIRA, ATÉ 30/04/2009.

A PROGRAGAMAÇÃO VARIA TODA SEMANA.

O TUSP fica na rua Maria Antônia 294 - consolação - FONE: 32557182 

Você só precisa chegar com antecedência suficiente para conseguir o seu ingresso, que começam a ser distribuídos 02 horas antes do espetáculo.

TEATRO - gratuito, galera!

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Com o empenho e a competência que lhes é peculiar, o Teatro da Vertigem leva à cena sábados às 21:00 horas e domingos às 20:00 horas, até 08 de março, a leitura cênica - HISTÓRIA DE AMOR - Últimos capítulos. O texto escrito pelo dramaturgo contemporâneo francês Jean-Luc Lagarce narra uma história de amor entre um homem e uma mulher com outro homem com o qual tiveram uma relação a três.

O grupo nos põe em contato direto com o texto, não só auditiva ou visualmente à medida que o disponibiliza para que a platéia também faça sua silenciosa leitura durante a encenação. A direção de Antônio Araújo privilegia o bom uso da palavra e uma encenação que apesar de ensaiada parece construída no momento mesmo em que a assistimos. É elogiável a boa lida com a palavra que possuem os atores Roberto Audio, Sérgio Siviero e a atriz Luciana Schwinden.

Endereço: Rua 13 de maio 240 - Bela Vista.

Vá lá. Vale a pena conferir.

Uma ótima opção

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       O Centro Cultural Banco do Brasil apresenta de 13/02 a 05/04, de quinta a sábado às 19:30h e domingos às 18:00h, a coméida - Um dia (Quase) igual aos outros.

       Prestes a suicidar-se Júlia (Débora Duboc) resolve deixar como testemunho um "vídeo-carta" com o qual pretende culpar o marido por sua atitude dela.

      A atriz, por meio da personagem Júlia, convida-nos a refletir sobre relações humanas, solidão, obsessão por emagrecer, etc. temas tão recorrentes no nosso cotidiano.

      O espetáculo conta com as participações de artistas como Marcelo Médici, Elias Andreatto, Viviane Pasmanter dentre outros.

      O Texto é da dupla italiana Dário Fo e Franca Rame, com direção de
Neyde Veneziano

      O ingresso custa R$ 15,00 e correntista do BB paga meia

      "É importante chegar cedo, e dar aquela espiada na exposição "NOVA ARTE NOVA" que está instalada por todo o Centro Cultural - Com 80 obras, incluindo expressões artísticas como pintura, instalações, desenhos, esculturas, colagens, vídeos, a exposição mostra um "desenho" da arte contemporânea brasileira neste século".

Telefones do CCBB - 3113-3651 e 31133652

Endereço: Rua álvaro Penteado 112 - centro, esquina com rua da Quitanda.

Vá lá.

Vale a pena conferir.

Por

Eraldo Maia

TEATRO BOM E A BAIXO CUSTO

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         A curitibana Sutil Companhia de Teatro sob a direção de Felipe Hirsh, comemora 15 anos de atividade este ano. E o SESI São Paulo será o anfitrião da conceituada Companhia teatral.

         De 04/02 a 05/05, a Companhia apresentará de quarta a domingo três dos seus espetáculos ( Avenida Dropsie, Não sobre o amor e Thom Pain - Lady Grey, esta ainda inédita ao público paulistano.

         Teatro do SESI São Paulo, Avenida Paulista, 1313 - SP.

         www.sesisp.org.br/centrocultural

         Ingresos a R$ 10,00 e R$ 5,00

        

         Por

         Eraldo Maia

 

 

 

QUANDO O TRABALHO SE ALIA AO TALENTO

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QUANDO O TRABALHO SE ALIA AO TALENTO

 

A Companhia Luís Louis está no CCSP (Centro Cultural São Paulo), com o "Repertório II Manifesto de Mímica Total, nas seguintes datas: de 13 a 27/02/2009 - (I've got a feeling), até 06/02 - (Sistema Nervoso - Versão Final), até 01/03 - (Seiscentas e cinqüenta mil horas)".

A Companhia, uma das mais respeitadas do Brasil no trabalho com Mímica contemporânea, alicerça seu trabalho no talento, na técnica e em exaustivas pesquisas em que buscam um "atuador" pleno em sua expressividade e comunicabilidade no palco.

A dramaturgia, centrada na palavra essencial, em cenários minimalistas, em provocações e nunca em respostas prontas, acoplada a corpos em movimentos precisos, técnicos e comunicativos, é do grupo (Silvana Abreu, André Capuano e Luís Louis, etc.).

Vê-los em cena é assistir ao artista se reinventando.

É mesmo imperdível.

E o ingresso, no Centro Cultural São Paulo tem preço acessível. (15,00 e 7,50).

Vá lá! Confira você mesmo e, quem sabe, a arte do teatro, do bom teatro, o auxilie a construir uma nova história.

Veja o endereço eletrônico do CCSP - www.centrocultural.sp.gov.br

 

Por

Eraldo Maia

Dramaturgia brasileira

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DRAMATURGIA BRASILEIRA,

 

A programação de férias do Centro Cultural São Paulo apresenta, até meados de fevereiro, a peça Navalha na carne, texto de Plínio Marcos, direção de Pedro Granato, com Gero Camilo, Paula Cohen e Gustavo Machado no elenco.

Escrito nos meados dos anos sessenta e proibido pela censura à época, o texto põe em foco um recorte na vida de três personagens: o cafetão Vado, a prostituta Neusa Suely e o homossexual Veludo.

Entre acusações mútuas, disputas desesperadas por um "toco" de maconha e a paga por alguns instantes de sexo, que, no fundo, supriria uma vida de solidão e miséria, Vado, Neusa e Veludo expõem suas angústias, aporrinhando-se mutuamente, tornando insuportável uma vida que já é difícil, pela pobreza, exploração e discriminação a que são submetidos, nesse cenário de decadência e agressões físicas e verbais.

A montagem, como tantas outras em que o autor é encenado, mantém-se fiel à sua dramaturgia, orientando-se por uma estética realista, embora se promova a quebra da quarta parede em busca de alguma intimidade com o espectador. O que se nota é a dificuldade de muitos diretores em explorar a polissemia textual deste dramaturgo santista, não ousando "relê-lo".

A opção da talentosa atriz Paula Cohen por uma linha interpretativa em que busca uma Neusa Suely alheada ao submundo de exploração em que vive, resulta em uma comicidade forçada, causando-nos estranhamento, que, paradoxalmente, não provoca reflexão, nem mesmo em raro momento de lucidez da personagem, quando nos olha e olha para dentro de si se perguntando e nos perguntando se aquela é mesmo uma vida de gente.

O destaque fica mesmo para a atuação de Gero Camilo, ao dar vida a um Veludo espirituoso, engraçado e de inabalável auto-estima.

Vá lá, confira você mesmo esse evento e construa a sua leitura.

Bom espetáculo.

Por Eraldo Maia